quinta-feira, março 17

Ficção com cheiro a realidade próxima

"Ano 2070 acabo de completar os 50, mas a minha aparência é de alguém de 85.Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira. Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água. Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a agua se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA ÁGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais se podia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber era oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar as fossas sépticos como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água.A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não tem a camada de ozono que os filtrava na atmosfera, imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável em vez de dinheiro. Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressequidade da pele uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar agua, o oxigénio também está degradado por falta de árvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.
O governo até nos cobra pelo ar que respiramos. 137 m3 por dia por habitante e adulto. A gente que não pode pagar é retirada das "zonas ventiladas", que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcional com energiasolar. Não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade média é de 35 anos.
Em alguns países ficam manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército, a agua tornou a ser um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui em troca, não há arvores porque quase nunca chove, e quando chega a registar-se uma precipitação, éde chuva ácida; as estações do ano têm sido severamente transformadas pelas provas atómicas e da indústria contaminante do século XX. Advertiam-se que havia que cuidar o meio ambiente e ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, o saudável que era a gente. Ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a agua? Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de me sentir culpado, porque pertenço à geração que acabou destruindo o meio ambiente porque simplesmente não tomámos em conta tantos avisos. Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendera isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar ao nosso planeta terra!"

Documento extraído da revista biográfica "Crónicas de los Tiempos" de Abril de 2002.

6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Quase que leva a pensar que no futuro o próprio ar tem peso...financeiro! beijos grandes Linda

4:58 da tarde  
Blogger Reporter said...

Também recebi essa "circular".
Salvaguardando os devidos exageros cénicos, é um assunto sobre o qual devemos pensar.
Vale mais prevenir...
One kiss for you, mabeka

6:45 da tarde  
Anonymous Ancestor said...

Não é preciso esperar tantos anos para compreender o problema de falta de água - ele já existe. Algumas fontes reportam que actualmente cerca de 3 biliões de pessoas no mundo inteiro sofrem com falta de água potável. Da mesma forma, em países de terceiro mundo, a contaminação da (pouca) água existente é uma das principais causas de mortalidade infantil. A poluição é também um dos principais factores de diminuição das reservas de água potável. Para terem uma ideia, uma pilha de mercúrio (ou umas gotas de um termómetro dos antigos) podem inutilizar 10.000l de água potável. A água é também essencial a múltiplos processos industriais, desde a indústria do curtume ao corte de pedra, ou a separação de resíduos nas minas, processos em que normalmente é usada água potável e não água tratada. Poupe água - beba cerveja.

6:21 da manhã  
Blogger mabeka said...

Ancestor, ora aí está uma atitude correcta, bber cerveja e poupar a água, mas olha que tb se precisa de água para o fabrico da cerveja.

2:47 da tarde  
Blogger mabeka said...

joão, num futuro próximo tudo vai ter peso, e provavelmente nem ar vai haver para respirar... beijos

2:48 da tarde  
Blogger mabeka said...

Reporter, temo que os exageros não sejam assim tão exagerados. E também me parece que já passou o tempo de pensar. Chegou o tempo de agir.
bjs

2:50 da tarde  

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