sexta-feira, março 18

Ainda a água...

Li ali num comentário, que em alguma indústria se utilizava água potável, quando o mais lógico seria a utilização de água tratada. É verdade… mas o problema que se põe é que sai muito caro utilizar a água tratada.
Há uns anos, colaborei nos trabalhos de remodelação das ETARs (Estação de Tratamento de Águas Residuais) de Lisboa. Foi um trabalho interessante. Na companhia de um Engenheiro hidráulico visitei algumas ETARs e fiquei a conhecer em pormenor o funcionamento das ditas. Passei dias na ETAR do Oriente. É extraordinário com o “merdelin” depois de passar por vários processos acaba por sair quase potável. Na altura deram-me a garantia que era bebível e na verdade vi imensa gente a faze-lo, mas eu não fiz, sinceramente, não fui capaz. Repugnou-me o facto de ter visto a água que iria beber umas horas mais atrás, em estado quase sólido.
Na altura muito falei sobre o aproveitamento dessa água e foi-me explicado que a única utilização possível, era a rega da vegetação da própria ETAR e futuramente havia a possibilidade daquela água vir a ser utilizada para rega e para os jardins de água (lagos, repuxos, etc) do futuro Parque Expo. Mas não era coisa certa, porque saía caro canalizar aquela água.
Se pensarmos na indústria, na de extracção de mármores por exemplo, que gastam uma infinidade de água (o mármore é cortado com pontas de diamante que têm que ser constantemente arrefecidas, assim como o polimento ou qualquer outro acabamento é feito através de água), não é viável canalizar água de uma ETAR, mesmo que esta seja muito perto, nem mesmo transportar a água em contentores ou coisa do género. Só seria viável se a empresa construísse a própria ETAR e isso é demasiado caro para quase todas, senão todas, as indústrias de mármore. Quem fala em mármores pode falar noutra indústria qualquer. Reciclar, seja lá o que for, sai muito caro. Vejam por exemplo o papel reciclado, é mais caro do que papel normal. Eu que gasto imenso papel, não uso papel reciclado porque não tenho dinheiro para isso, é tão simples quanto isso.
Mas se calhar está na altura das indústrias e os estados fazerem alguma coisa em relação a isto. Se calhar mais vale um grande investimento, mesmo enorme que seja, para evitarmos uma factura demasiado alta mais tarde.

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

E o que achar da anedota que é o facto de algumas câmaras municipais, ávidas emm distribuir ecopontos e em divulgar o como fazer reciclagem numa só lição, digo, num só panfleto,não recolherem separadamente o lixo, por não terem ou não querem ter condições para o fazer. Que unam as câmaras, o que o cidadão separou, deve ser o lema de campanha! beijos grandes, Linda

5:14 da tarde  
Blogger Reporter said...

Pode parecer que não mas lembrar Quioto (ou será Kyoto?) vem a propósito.
Bj.

6:28 da tarde  
Anonymous Ancestor said...

A questão económica tem a sua piada - tudo é caro até existir competitividade. Se ninguém investir na tecnologia necessária para a tornar mais acessível, os sistemas serão sempre caros. Nem é preciso pensar muito para exemplos. Há 45 anos atrás, apenas um punhado de governos podia suportar o custo astronómico de um computador; há 30 anos atrás, um computador custava tanto como uma vivenda. Hoje em dia custa tanto como uma boa mesa de trabalho em madeira.
Quando me referia à indústria de corte de pedra, não me referia ao arrefecimento de máquinas. É relativamente comum o uso de máquinas de corte por jacto de água para cortar pedra e/ou metais. Essa água (que poderia perfeitamente ser filtrada de pó e reaproveitada, visto que o sistema funciona por bombas) é normalmente desperdiçada. Curiosamente, não vejo os ourives a deitar fora as limalhas de ouro e outros metais preciosos... É tudo uma questão de vontades. Se a água em si fosse "cara", o desperdício era muito menor. Basta ver o que se passa em algumas cidades do centro do país, onde as tarifas de água são muito superiores às das cidades do litoral.

9:53 da tarde  

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